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O LISBOA

01/10/2026     .067

Conheça a Lenda de Manguda, o Fantasma que virou parte da História de São Luís

Uma figura coberta por um lençol branco, aparecendo no meio da noite pelas ruas de São Luís, seria suficiente para fazer qualquer pessoa mudar de caminho e morre de medo na mesma hora. Em uma época, mais precisamente século 19, em que a iluminação pública era em lampião a óleo, e pouquíssimos lugares eram iluminados, a visão limitada e as histórias de assombração faziam parte do imaginário popular, a aparição ganhou fama e passou a ser conhecida como a Manguda.

A personagem é uma das lendas que atravessaram gerações na capital maranhense. Por trás do suposto fantasma, porém, existe uma história que mistura medo, contrabando e a rotina de uma São Luís do século XIX.
De acordo com a tradição sobre a origem da lenda, a Manguda teria sido uma invenção de contrabandistas que utilizavam a região do antigo Porto do Genipapeiro, no centro da cidade, para movimentar mercadorias de forma clandestina.

Naquele período, mercadorias trazidas do exterior estavam sujeitas à cobrança de impostos. Para driblar a fiscalização, alguns comerciantes recorriam ao desembarque clandestino de produtos.

A movimentação teria acontecido em uma área localizada entre a Praça Gonçalves Dias e a antiga Forja do Rio Anil, nas proximidades do antigo porto.

Foi nesse cenário que teria surgido a ideia de criar uma suposta assombração.

Durante a noite, homens envolvidos no contrabando teriam colocado grandes lençóis brancos sobre o corpo e circulado pela região. À distância, em meio à escuridão, a silhueta poderia facilmente ser confundida com um fantasma.

O objetivo seria provocar medo em quem se aproximasse e, dessa maneira, manter moradores curiosos e agentes de fiscalização longe do local.

A estratégia teria dado certo. A história da misteriosa figura se espalhou pela cidade e a aparição ganhou um nome: Manguda.

Por que ‘Manguda’?
A explicação para o nome está relacionada à própria aparência da figura.

Segundo a tradição popular, o tecido utilizado para cobrir o corpo tinha grandes mangas, que ficavam soltas e davam à silhueta um aspecto ainda mais estranho durante a noite.

A imagem acabou sendo incorporada ao imaginário dos moradores e a Manguda deixou de ser apenas um possível artifício utilizado por contrabandistas para se transformar em uma personagem do folclore de São Luís.

Da estratégia ao folclore
Com o passar dos anos, a história ganhou novos detalhes e foi sendo transmitida entre gerações. O que teria começado como uma forma de proteger uma atividade clandestina acabou se tornando uma das histórias de assombração associadas à capital maranhense.

A lenda também revela um pouco de como era São Luís no século XIX. Com ruas pouco iluminadas, movimentação reduzida durante a noite e uma forte tradição de histórias populares, uma figura desconhecida circulando pelas ruas poderia facilmente provocar medo.

Hoje, a Manguda permanece na memória cultural da cidade como uma personagem que reúne mistério e história. A região da Praça Gonçalves Dias, no centro histórico, é um dos locais associados à narrativa que transformou uma suposta estratégia de contrabandistas em uma das lendas mais conhecidas de São Luís.